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Polícia Civil apreende fuzil e prende cinco em operação contra comércio ilegal de armas na Grande Vitória

Publicado em: 27/10/2026 10h55 - Atualizado em: 27/10/2026 10h55
Polícia Civil apreende fuzil e prende cinco em operação contra comércio ilegal de armas na Grande Vitória

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu cinco pessoas e apreendeu um fuzil calibre 5,56, duas pistolas, um revólver, munições, dinheiro e radiocomunicadores durante a Operação Fogo Cruzado, deflagrada na manhã da última sexta-feira (16). A ação teve como objetivo combater o comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios e cumpriu dez mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária em Cariacica e Vitória. As investigações também abrangem suspeitos de Viana.

Coordenada pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, a operação mobilizou aproximadamente 80 agentes das forças de segurança, incluindo equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Guarda Civil Municipal de Viana (GCMV), do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer). A ação contou com a participação do delegado-geral da PCES, Jordano Bruno.

As diligências são um desdobramento da investigação do homicídio de Jonathan Carvalho dos Santos, de 34 anos, assassinado a tiros em 14 de junho deste ano, no bairro Canaã, em Viana. A extração de dados do celular de um dos investigados revelou conversas que levaram os policiais a identificar pessoas suspeitas de negociar armas e munições ilegalmente.

Investigação de homicídio revelou comércio ilegal de armas

De acordo com o titular da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Junior, o homicídio ocorreu em uma praça movimentada, enquanto moradores acompanhavam uma partida da seleção brasileira durante a Copa do Mundo. O trabalho investigativo identificou Renan Jesus Vicente como executor do crime. Segundo o delegado, após o homicídio, o suspeito fugiu para o Rio de Janeiro, mas foi preso cerca de dez dias depois, quando chegava para trabalhar em um frigorífico de Cariacica.

Durante a análise do celular apreendido na ocasião, os investigadores encontraram mensagens que indicavam a participação de Renan na intermediação de negociações de armas e munições. A partir das informações extraídas, a equipe identificou dez alvos relacionados à prática criminosa e aprofundou as diligências sobre a origem, a manutenção e o armazenamento dos armamentos.

“Esse homicídio causou um enorme abalo social no município de Viana, porque aconteceu em um local repleto de gente, numa praça onde as pessoas estavam comemorando um jogo da seleção brasileira. Imediatamente, a equipe de investigação conseguiu angariar informações que levaram ao autor do crime”, explicou o delegado Cleudes Junior.

Segundo as investigações, o homicídio teria sido motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 500 relacionada a um equipamento de som automotivo. A apuração também apontou que Renan contou com a participação de sua companheira, Sheila, no fornecimento da arma utilizada no assassinato. Conforme o delegado, mensagens extraídas do celular indicaram que ela teria presenteado o investigado com a pistola e tinha conhecimento de que o armamento estava sob seu controle.

Sheila foi presa em flagrante em julho, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência, onde os policiais localizaram uma pistola calibre .380 com a numeração suprimida. Após a análise dos dados telefônicos, a investigação reuniu elementos sobre o fornecimento da arma utilizada no homicídio. O inquérito foi concluído com o indiciamento de Renan pelo assassinato e de Sheila por participação no crime.

Fuzil estava escondido em armário

Durante a Operação Fogo Cruzado, um dos alvos foi localizado no bairro Resistência, em Vitória. Na residência, os policiais encontraram um fuzil calibre 5,56, de plataforma Colt, escondido dentro de um armário, além de um revólver calibre .38 municiado. Conforme a investigação, o suspeito armazenava armamentos para traficantes da região e também estaria envolvido na comercialização ilegal de armas e munições.

Outro alvo, apontado como responsável pela manutenção de armamentos utilizados por criminosos, também foi preso. Segundo a DHPP de Viana, ele teria realizado a manutenção da arma utilizada no homicídio de Jonathan. Na residência dele, foram encontradas munições, o que também motivou uma prisão em flagrante por posse irregular de munição.

Além das duas armas encontradas na residência do suspeito do bairro Resistência, as equipes apreenderam duas pistolas, dinheiro e outras munições durante as diligências. O balanço inicial divulgado pela Polícia Civil apontou cinco pessoas presas. As equipes ainda estavam em campo no momento da divulgação das informações.

O comandante do BME da PMES, tenente-coronel Carvalho, destacou o potencial lesivo do fuzil apreendido e a necessidade de atuação técnica no cumprimento dos mandados.

“É um armamento com alto poder destrutivo. Normalmente, essas facções utilizam esse tipo de arma para intimidar e demonstrar força contra as forças de segurança e contra seus opositores, suas facções rivais”, afirmou.

O oficial também ressaltou a integração entre as instituições durante a operação. Segundo ele, apesar da apreensão dos armamentos, não houve reação dos suspeitos nem disparos durante o cumprimento dos mandados.

Negociações ocorriam por aplicativos de mensagens

O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, explicou que as investigações identificaram negociações de armas e munições por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Nessas plataformas, os envolvidos ofereciam os produtos, combinavam pagamentos e acertavam a entrega dos armamentos.

“Esse trabalho é resultado de investigação, assim como outras operações que deflagramos nas últimas semanas. É fundamental essa resposta das forças de segurança pública, atuando de forma integrada e coesa. Nós trabalhamos com inteligência, troca de informações e investigação, possibilitando operações como essa”, destacou.

Jordano Bruno acrescentou que a apreensão dos armamentos e a prisão dos investigados contribuem para retirar de circulação materiais que podem ser utilizados em crimes violentos. Para o delegado-geral, a atuação conjunta das forças de segurança é importante para enfrentar a circulação ilegal de armas e a intimidação da população por grupos criminosos.

O inspetor Rosário, da Guarda Civil Municipal de Viana, também ressaltou a importância da integração entre as instituições. Segundo ele, o homicídio ocorrido em uma praça do município provocou grande repercussão, e o trabalho conjunto permitiu dar continuidade às investigações e identificar outros suspeitos envolvidos no comércio ilegal de armamentos.

Operação Fogo Cruzado — O nome da operação faz referência ao contexto de violência associado à circulação ilegal de armas e munições, cuja comercialização pode abastecer atividades criminosas e contribuir para a ocorrência de crimes violentos.

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