PCES deflagra Operação Intifada e prende 28 investigados em operação contra facção criminosa em Vitória
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, deflagrou, nessa quarta-feira (14), a Operação Intifada e cumpriu 28 mandados de prisão e dezenas de mandados de busca e apreensão. A mobilização contou com cerca de 200 policiais e 50 viaturas. A operação teve como alvo integrantes da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), especialmente o grupo com atuação na região da Grande São Pedro, apontado como responsável por articular ataques em outros bairros da Capital.
A operação mobilizou cerca de 200 policiais e mais de 50 viaturas, com apoio da Polícia Penal e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer). Foram expedidos 44 mandados de prisão e 76 mandados de busca e apreensão. As equipes continuam em diligências para localizar outros investigados e cumprir as ordens judiciais pendentes.
Os detalhes da investigação e os resultados da operação foram apresentados em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (15), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, destacou que a operação integra a estratégia de enfrentamento às organizações criminosas envolvidas com o tráfico de drogas, homicídios e ataques violentos contra a população.
“Esse trabalho é fruto de uma diretriz operacional estabelecida aqui na Polícia Civil, em que atuamos firmemente em relação às organizações criminosas que exploram o comércio e a venda de drogas, especialmente aquelas relacionadas à prática de homicídios e à atuação violenta ou intimidatória contra a população”, afirmou.
Segundo o delegado-geral, as ações são planejadas para atingir diferentes níveis de atuação dos grupos criminosos, desde os responsáveis pela venda direta de entorpecentes até as lideranças e os integrantes envolvidos na movimentação financeira.
O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, destacou a dimensão da Operação Intifada, que mobilizou equipes de diferentes superintendências da PCES, além do apoio de outras instituições.
“Conseguimos mobilizar um grande efetivo policial, com profissionais de diversas superintendências atuando de forma integrada. O resultado, até o momento, demonstra a efetividade do trabalho desenvolvido pelas forças de segurança e a importância dessa atuação conjunta para a manutenção da ordem pública”, afirmou.
O comandante do Núcleo de Operações e Transportes Aéreo Notaer, coronel Knaip, explicou a contribuição do apoio aéreo.
“O Notaer garante a segurança das equipes em solo durante operações em áreas de atuação de grupos criminosos. A aeronave auxilia na prevenção de fugas e na identificação de possíveis situações de risco, como emboscadas contra os policiais”, explicou o comandante.
O diretor de Operações da Polícia Penal, Weleson Vieira, ressaltou a troca de informações de inteligência entre as instituições.
“A Polícia Penal atuou em conjunto com a DHPP de Vitória na identificação de investigados ligados à facção, incluindo pessoas que já estavam no sistema prisional e que, segundo as apurações, continuavam envolvidas nas atividades criminosas.”
Segundo Weleson Vieira, um dos líderes investigados está foragido do Centro de Detenção Provisória de Vila Velha (CDPV II) há 605 dias e ordenava ações criminosas mesmo estando fora da unidade prisional. A parceria entre as instituições continua para localizar e recapturar os envolvidos.
O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, delegado Ramiro Diniz explicou que a investigação permitiu identificar diferentes grupos dentro do PCV, com funções específicas relacionadas à aquisição e à comercialização de drogas, à movimentação financeira e ao planejamento e à execução de ataques armados contra integrantes de facções rivais.
“Conseguimos identificar indivíduos responsáveis por realizar ataques contra facções rivais dentro da Grande São Pedro, em outros bairros de Vitória e também em outros municípios do Estado”, explicou.
Segundo o delegado, os investigados também atuavam na organização das ações violentas, com divisão de funções, distribuição de armas, definição dos veículos utilizados e planejamento das rotas de entrada e saída dos locais onde os ataques seriam realizados.
Durante a operação, em um imóvel relacionado a um investigado apontado como gerente do tráfico no bairro Nova Palestina, foram apreendidos aproximadamente 120 papelotes de cocaína, materiais utilizados para embalar entorpecentes e dinheiro.
Ramiro Diniz informou que, após o cumprimento dos mandados, as equipes continuaram as diligências para localizar outros alvos. Uma das lideranças investigadas foi presa na manhã desta quinta-feira (15), após não ter sido encontrada durante a operação realizada no dia anterior.
O adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, delegado George Zan., explicou que a investigação teve início após o homicídio de um homem conhecido como Breno, ocorrido em 7 de setembro de 2025, no bairro Redenção, em Vitória.
“A investigação começou com a apuração de um homicídio e, a partir das diligências, conseguimos ampliar o trabalho e identificar a estrutura da organização criminosa, com grupos que exerciam funções específicas, desde o gerenciamento do tráfico de drogas até a organização de ataques contra integrantes de grupos rivais. Esse levantamento foi fundamental para direcionar a operação e alcançar diferentes integrantes da facção”, explicou George Zan.
Segundo o delegado, o homicídio estaria relacionado à disputa territorial entre integrantes do PCV e do Terceiro Comando Puro (TCP). A vítima, que já havia tido envolvimento com o tráfico de drogas, estaria trabalhando em uma empresa de refrigeração à época do crime. Segundo a investigação, ele teria sido reconhecido por criminosos como alguém ligado a um grupo rival e executado.
A apuração inicial levou à identificação e à prisão de três suspeitos de participação no homicídio. A partir desse caso, os investigadores aprofundaram o levantamento sobre a estrutura da facção e identificaram grupos responsáveis pelo gerenciamento das atividades criminosas, pela arrecadação de dinheiro, pelo abastecimento dos pontos de venda de drogas e pela organização de ataques armados relacionados à disputa por territórios.
A investigação também reuniu informações sobre episódios de violência em diferentes bairros de Vitória, incluindo Conquista, Redenção, Santa Marta e Andorinhas. Entre os casos apurados estão homicídios e ataques armados associados à disputa territorial entre integrantes das facções criminosas.
As diligências permitiram identificar lideranças que, segundo a investigação, estariam fora do Espírito Santo e continuariam exercendo funções de comando na organização. Entre os alvos que permanecem foragidos, há investigados apontados como lideranças e responsáveis pela execução de ataques contra grupos rivais.
A Polícia Civil continua as diligências para localizar os demais alvos, cumprir os mandados de prisão pendentes e aprofundar as investigações sobre a estrutura da organização criminosa e a participação dos envolvidos nos crimes apurados.
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